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segunda-feira, abril 29, 2019

PELE DE POEMA


Se tu fosses uma folha de papel,
Em tuas entrelinhas,
Nas dobras de teu corpo,
Estaria escrito o mais doce poema de amor.
E na hora íntima do amor
Eu colheria, extasiado,
A poesia que cairia de ti.

sexta-feira, abril 26, 2019

SOU TEU!

No chão de meu coração,
E nas paredes de meu íntimo
Brotou aquela semente de amor.
Eterno, 
Que tu plantaste.
A semente cresceu, virou árvore  
E tu te fizeste minha.
E hoje, esse coração é teu.
Até quando tu quiseres.

Mas essa  árvore é minha!
Esse amor, que te prometi, é meu!
(Vai continuar comigo, mesmo que não o queiras).
E das folhas dela
Cairão flores e frutos
Que se multiplicarão.
É meu amor por ti, perenizando-se em mim.
De  forma única, indevassável, imutável.


terça-feira, abril 23, 2019

CANÇÃO NA PLENITUDE - LYA LUFT

"Não tenho mais os olhos de menino
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
"Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo

o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria
apenas ser amado.

Posso dar-te muito mais do que beleza

e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amigo,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável

cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias."

Lya Fett Luft (poeta brasileira - Santa Cruz do Sul, 15/set/1938),
     

quinta-feira, abril 18, 2019

ANGÚSTIA


O passarinho que existe em mim
Possui um balde vazio que se chama Amor.
Ele voa diariamente à tua janela.
Pousa e repousa à espera da luz de teu olhar.

Se espanta, a cada dia de forma nova,
Pelo clarão de seu sorriso, e pelo sol que plantas em minha ternura.
Esse passarinho pega todas essas doçuras
Enche seu balde. E volta.
E todas as noite o deposita ao pé da minha cama
Para aplacar a angústia de tua ausência.